Beleza Roubada


me descobrindo...
me revelando...








OdetedePaula




21/06/2012


"Desperta teus sentidos
para que não percas
tudo de belo e formoso
que te cercas.
Apaga a cinza de tua vida
e acenda as cores
que carrega dentro de ti."
(Pablo Picasso)

Que continue sendo doce o seu modo de demonstrar afeto , 
o seu jeito , 
seus olhares , 
seus receios . . . 
Que doce seja uma ausência do nosso medo , 
o seu abraço 
e a maneira como segura minha mão . 
Que seja doce , 
que sejamos doce e seremos , eu sei . . .
- Caio Fernando Abreu -

19/06/2012


Há um olhar que sabe discernir o certo
do errado e o errado do certo.
Há um olhar que enxerga quando
a obediência significa desrespeito
e a desobediência significa respeito.
Há um olhar que reconhece os curtos caminhos longos
e os longos caminhos curtos.
Há um olhar que desnuda, que não hesita
em afirmar que existem fidelidades perversas
e traições de grande lealdade.
Este olhar é o da alma.
- Nilton Bonder -

13/06/2012


"Quero pintar uma rosa,
Rosa é a flor feminina que se dá e tanto
que para ela, só resta alegria de se ter dado.
Seu perfume é mistério doido, 
quando profundamente aspirada, 
toca no fundo íntimo do coração, 
e deixa o interior do corpo inteiro perfumado.
O modo dela se abrir em mulher é belíssimo."
C. Lispector

"Quando procuro o que há de fundamental em mim, 
é o gosto da felicidade que eu encontro."
- Albert Camus -

"...porque tu sabes, que é de poesia minha vida secreta!"(Hilda Hilst)



12/06/2012





Crônica do Amor


Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.


O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.

Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.

Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no
ódio vocês combinam. Então?

Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a
menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.

Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama
este cara?

Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.

É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura
por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.

Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.

Não funciona assim.

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.

Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.
Arnaldo Jabor

11/06/2012



Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai, que bom que isso é, meu Deus
Que frio que me dá
O encontro desse olhar.

Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus
Só pra me provocar
Meu amor, juro por Deus
Me sinto incendiar.

Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus
Já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus
Sem mais lari-lurá.

Pela luz dos olhos teus
Eu acho, meu amor
E só se pode achar
Que a luz dos olhos meus
Precisa se casar.
Tom Jobim E Miúcha - Pela Luz Dos Olhos Teus 
O verdadeiro amor nunca se desgasta. Quanto mais se dá mais se tem.
Antoine de Saint-Exupéry









CATIVA-ME
Cativa-me da maneira que tu quiseres, como tu souberes.
Cativa-me para que eu possa me doar... e tuas frágeis defesas não me assustem, não me confundam e não me façam imaginar que não desejas uma amiga, que preferes te fechar.
Cativa-me nos mínimos detalhes. Solte aquele sorriso brejeiro, por vezes irônico por fora, mas tão inocente e carente e bobo por dentro...
Cativa-me-me com tuas idéias e emoções, com tuas buscas, com teus gestos, com tua voz, teus modos de falar, com teu jeito de criança ou velha ou louca ou divertida ou séria ou alegre... ou, talvez, desconfiada, disfarçada de durona ou sabida só pra proteger tão sensível coração, tão vulnerável humanidade, tanta fome de ser ouvida, de comunicação, de gentileza, de uma alma amiga...
Cativa-me com teus olhos, com teu olhar profundo, sincero, comovido, singelo, fraterno, não os desvie, fita-me com confiança e permita que eu te olhe assim também, sem máscaras, sem receios e defensivas que não têm sentido numa amizade genuína, e que possamos nos compreender até mesmo no silêncio.
Cativa-me com teu desejo simples de sempre me ver feliz, crescendo, voando, e que eu possa te retribuir em dobro.
Cativa-me com teu abraço, com teu ombro amigo. Deixe-me abraçá-la, enxugar tuas lágrimas, derramar rios de ternura sobre tuas feridas.
Cativa-me com tuas palavras, fale-me de teus sonhos, de teus prazeres, trabalhos, alegrias, preocupações, cansaços e dores também. Venha cá, deita a cabeça aqui em meu colo, fala-me de teus medos, segredos, de tuas angústias e pesos. Conta-me sobre tua fantástica história, com tudo de maravilhoso nela, mas não esconda as cicatrizes e deixe que eu te conte a minha e te mostre minhas cicatrizes também. E depois, apliquemos curativos de carinho solidário nelas. Não tenha medo, não vai doer, eu não deixarei.
Cativa-me com simplicidade e humildade, com o íntegro e puro amor amigo. Porém, com certa calma, sem pressa, tentando generosamente me conhecer, entender minha mente e meu coração, de espírito aberto, sem subterfúgios, sem cálculos, sem zombarias com as quais meu coração de criança não sabe lidar, sem dúvidas sobre o poder e a força do cativar, e com certeza sobre ser amada incondicionalmente por uma alma que enxerga a tua e te reconhece.
Cativa-me de dia ou de noite, na luz do sol ou embaixo da chuva, debaixo da lua imensa ou de nuvens cinzas, diante do esplendor da extraordinária aurora boreal ou da paisagem do cotidiano mais comum.
Cativa-me sem dizer nada ou dizendo tudo, sorrindo ou chorando, eufórica ou cansada, calma ou irritada, animada ou deprimida, reflexiva ou impulsiva, acertando ou errando... Mas me cative de verdade, com vontade! E assim me brinde com o presente mágico de eu poder te oferecer o melhor de mim e das estrelas que aqui dentro brilham.
Gisele De Marie

06/06/2012


''Que eu possa abrir minha casa como uma garrafa de vinho. 
Que eu possa sair de casa como uma garrafa de champanhe. 
Que eu possa respeitar opiniões diferentes da minha. 
Que eu não tente convencer ninguém a pedir desculpas. 
Que eu possa me desculpar antes do ódio. 
Que eu possa descobrir a altura dos postes com pipas. 
Que eu possa pescar conhecidos nos viadutos. 
Que eu possa escrever cartas de amor de repente. 
Que eu possa viajar para adorar a distância. 
Que eu possa voltar para dizer o que não tive coragem. 
Que eu possa conversar com estranhos para matar a estranheza. 
Que eu possa comprar fiado minha própria fé. 
Que eu possa gemer diante de uma torta de nozes. 
Que eu pense em meu amor ao atravessar a rua.
Que eu pense na rua ao atravessar o amor. 
Que eu possa engolir o vento em cada esquina.
Que eu possa ouvir as cigarras de noite. 
Que eu possa diferenciar as árvores. 
Que eu erre um caminho para descobrir novas paisagens. 
Que meu carro tenha cheiro de baunilha. 
Que eu ajude sem questionar. 
Que eu dê conselhos sem condenar. 
Que eu não exija demais dos outros. 
Que eu exija demais de mim. 
Que eu possa dançar com os pés nos ouvidos. 
Que eu possa aprender a tocar violino. 
Que eu possa aprender a dizer sim. 
Que eu possa tomar banho de cachoeira. 
Que eu possa madrugar para esquentar ver o sol nascer. 
Que eu não acorde com o telefone tocando. 
Que eu não faça piadas de mau gosto. 
Que eu seja a vontade de rir. 
Que eu prepare pratos exóticos para aumentar a fome. 
Que eu não dedure os amigos para passar bem. 
Que eu pendure bonecos no varal. 
Que eu faça sinal para o trem parar. 
Que eu bata no tapete com a vassoura. 
Que eu assobie para chamar a alegria. 
Que eu possa chorar ao assistir filmes. 
Que aproveite a luz do corpo para ler de noite. 
Que eu possa embaralhar o sal com o açúcar. 
Que não faça fofoca. 
Que eu não seduza para confundir. 
Que eu seduza para iluminar. 
Que eu mande flores para meu próprio endereço. 
Que eu estenda a toalha da mesa como se fosse um lençol. 
Que eu não sacrifique a confiança pela covardia. 
Que eu possa cuidar da minha cidade como um irmão caçula. 
Que eu use a voz como campainha. 
Que eu possa repor os pássaros em seus ninhos. 
Que eu encontre uma loja para consertar chapéus. 
Que eu encontre uma loja para consertar cabeças. 
Que eu não mude de ideologia para conseguir um emprego. 
Que eu não precise gritar dentro de casa. 
Que os cachorros tenham faixa de segurança. 
Que meu marido me responda os beijos com arrepios. 
Que eu possa devolver os livros que tomei emprestado. 
Que eu não peça a devolução dos livros que emprestei. 
Que eu tenha dúvidas, melhor do que certezas e falir com elas. 
Que a sorte não seja o cartão furado da loteria. 
Que eu possa barbear o medo. 
Que meus amigos deixem de comprar o jornal pelos classificados. 
Que a única corrente que use seja a do balanço para embalar meu filho. 
Que a poesia não fique na estante mais escondida das livrarias. 
Que eu ligue mais para meus irmãos para falar menos dos outros. 
Que eu escute os problemas até o fim. 
Que meu marido possa entender o que nem preciso falar. 
Que eu conte meu dia na hora do jantar. 
Que eu cumprimente meu vizinho sem temer a resposta. 
Que eu possa dar as roupas que não uso. 
Que eu possa ler revistas antigas em consultórios. 
Que a cor da pele não seja maior do que a cor do céu. 
Que os gays possam se beijar fora da novela. 
Que minha letra saiba montar no cavalo das linhas. 
Que eu ande de bicicleta para me demorar na cidade. 
Que eu cuide das plantas da mão alisando a chuva. 
Que eu não fique cobrando para me aliviar do trabalho. 
Que eu aprenda a guardar segredos sem jurar por Deus. 
Que eu tenha menos vaidade. 
Que eu tenha mais realidade. 
Que eu invente mentiras convincentes para chegar às verdades. 
Que eu não pense na morte antes de dormir. 
Que eu volte a rezar sem querer. 
Que eu possa nadar na neblina. 
Que eu não tenha receio de ser ridículo. 
Que eu faça amizades falando do tempo. 
Que eu escreva nos livros o que os livros me escrevem. 
Que eu possa brincar mais sem contar as horas. 
Que eu possa amar mais sem contar as horas. 
Que eu possa puxar os cabelos do vento. 
Que eu use somente as palavras que tenham sentido. 
Que eu prove a comida nas panelas. 
Que eu aceite os conselhos da loucura. 
Que transforme a raiva em vontade de me entender. 
Que o trânsito não seja sauna. 
Que eu possa assistir shows com meus filhos na garupa. 
Que eu atinja o segundo andar das ameixeiras.
Que eu abra o capô apenas do piano. 
Que eu não precise fechar as janelas na sinaleira. 
Que eu visite mais minha sogra. 
Que o domingo não termine com o futebol. 
Que o musgo cresça onde há paredes. 
Que as heras cresçam onde há muros. 
Que as escadas cresçam onde há joelhos. 
Que eu possa caminhar a esmo na respiração. 
Que eu me levante de bom humor. 
Que eu possa soltar os vaga-lumes que prendi em potes. 
Que o governo seja competente para ser esquecido. 
Que eu faça aniversário de criança nos meus ... anos. 
Que o verão seja se afogar em dunas. 
Que eu não pergunte a uma mulher sua idade ou se está grávida. 
Que eu me lembre do nome de colegas da infância. 
Que eu me lembre dos finais dos filmes.
Que eu lembre do início dos olhos. 
Que eu me lembre de ser feliz enquanto ainda estou vivo.''
(Fabrício Carpinejar)

04/06/2012


Ou isto ou aquilo
Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Cecília Meireles



Enquanto as pessoas são mais ou menos jovens e a partitura de suas vidas está somente nos primeiros compassos, elas podem compô-la juntas e trocar os motivos, mas quando se encontram numa idade mais madura, suas partituras estão mais ou menos terminadas, e cada palvra, cada objeto, significa algo diferente na partitura de cada um. (A insustentável leveza do ser - parte 3: As palavras incompreendidas)
Milan Kundera